quarta-feira, 12 de setembro de 2007

Oblívios

Nos mantos etéreos de estrelas distantes
Brilham os astros de tristeza indefinida;
Sublimes jardins de turquesa perdida
Pelos vãos abissais de corpos errantes;

Sob langue vapor de amorfos diamantes
Que fluem nas vias da esfera partida,
Refletem os prismas de matiz colorida
Vagando aos lençóis de tecidos brilhantes

Sob transe celeste dos corpos dormentes
E a dança funesta de neutrons ardentes,
Os mundos se fundem em beijos espirais;

Por ébrio recantos de caos inumano,
E os negros encantos de um sonho profano
Os mundos se perdem nos oblívios astrais.





domingo, 9 de setembro de 2007

Incenso


Sob ébrias fragrâncias que escorrem ao vento,
Essências exalam suas cores vistosas,
Tais nuvens que giram nas brumas viscosas
Luzidas na ondas de um vago relento;

Sobre halos que sangram perfumes de rosas
Num vil elixir de encanto e sofrimento,
Lampejam as fibras d'um manto sangrento
Por densas muralhas de névoa leitosa;

Sob negros vazios dos abismos sidéreos
As chamas fervilham contornos aéreos
Girando num arco de ilusões espirais;

Sob rubro orvalho dum róseo horizonte
Incensos gotejam na insólita fonte,
Vertendo demência em proporções colossais.




5/8


quarta-feira, 5 de setembro de 2007

Sopor Aeternus

No sangue que escorre por vias azuis
Exala um múrmurio em negro afluente,
Selando memórias por baixo da cruz
De corpos tão rijos na paz indolente;

Sob triste vapor de frias montanhas
A noite floresce num ébrio brilhar,
Reflete o torpor das mortas entranhas
Na luz perolada de um arco lunar;

Sob pálida chama de névoa austera
Delira este céu num etéreo rubor,
Que infligem olhos da langue quimera
O gosto funesto de um eterno estupor.


sábado, 1 de setembro de 2007

Abismo

Pelo frio sepulcro insolente
Onde crânios repousam as dores,
Assoviam os tristes langores
Sob o lume noturno dormente;

Pelas viças escumas sem vida
Onde nascem os rios funéreos,
Se desfiam os véus de mistérios
Numa pálida fonte perdida;

Sob a densa e cinzenta cortina
Deste céu mergulhado em neblina
Pr'onde jazem segredos velados,

Incandescem as sombras vermelhas
Destas vis e corpóreas centelhas
Que permeiam abismos selados.



domingo, 26 de agosto de 2007

Amorfas

Nas doces fragrâncias de campos oblíquos,
Gardênias cintilam sob a luz madrigal;
Refletem a loucura de astros longíquos
Nas esferas distantes d'um vazio abissal;

Por vimes correntes de sonhos perdidos,
Quimeras despertam em matiz violácea;
Erguendo as imagens de seres caídos
Num corpo que vibra em luxúria devassa;

Por nuvens que formam um halo infinito,
Ascende o semblante de um vermelho luar;
Gelado esplendor do universo maldito
Sob ventos que rugem num senil sibilar;

Na poeira que sobe de horizontes tardios,
As sombras se unem numa exógena dança;
Fluindo estas lágrimas por rostos esguios,
E o véu reluzente de amorfas lembranças;


quinta-feira, 23 de agosto de 2007

Celeste

No espesso luar de vapor reluzente,
A dança estrelar inicia os seus ritos;
Ardendo e piscando seus raios aflitos,
No intenso pulsar de horror complacente;

Na fria manhã de langor indolente,
Névoas florescem por céus esquecidos;
Ardendo e beijando os véus infinitos,
No alvo divã de torpor ascendente;

Opalas fulgindo em arcos vibrantes,
Tremendo e queimando seus frios semblantes,
Aos olhos ferventes do plano abissal;

Paisagens noturnas de vias herbóreas,
Jazendo ao orvalho de ébrias memórias,
E os braços de éter do celeste infernal.




sábado, 18 de agosto de 2007

Transcendência I - 18/8

Vapores noturnos exalam da terra,
Compondo as visões de sombras a prosperar,
Sobre a bruma incandescente da serra,
Refletem no chão os astros a tremular;

Imagens amorfas bailando ao relento,
Insano painel de excruciante terror;
Dançando elas formam o vil elemento
Dos símbolos negros em letal explendor;

Sob véus manchados pela rubra tintura
Forma-se o círculo da langue demência,
Tornando este céu numa sombria clausura
Onde noites se formam em vã turbulência;

Nuvens que fervilham em bolhas pulsantes,
Jaz nestas covas de bromélias perdidas;
Nas turvas lembranças de escumas vibrantes,
Transcendem as veias n'eternas descidas.